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20/04/2012

Trabalho em Altura

Infelizmente muitas organizações e pessoas ainda pensam que a questão do trabalho em altura está restrita ao cinto de segurança e algumas poucas coisas mais. Parece-me que esqueceram que estão lidando com vidas, e por esse motivo, o assunto precisa ser tratado com maior seriedade e comprometimento. Há ainda aquelas organizações e pessoas que criam sistemas de segurança para trabalho em altura, mas enxergam essa ação como mera formalidade, fazendo com que o trabalhador, confiante assuma mais riscos.

Nesta última coluna da série irei abordar outro tema que muitas vezese visto como secundário  nos locais de trabalho: o planejamento das emergências para casos de acidentes nos trabalhos em altura. Sempre que se toca neste item, alguns colegas de área afirmam que o planejamento de emergência não faz parte do universo da prevenção. No entanto, é preciso compreender que um plano de emergência bem planejado e implantado pode ser a diferença entre um acidente mais ou menos grave, a vida ou a morte, a mutilação ou a possibilidade de minimizar danos.

Mas o que é um bom plano de emergência? Com certeza é aquele que pode ser executado e que alcança seu objetivo. Pode parecer óbvio, mas todos os meses recebo planos perfeitos na teoria, mas que não passam disso. Alguns contemplam uso de ambulância, mas nem existe ambulância no local de trabalho. Em outros, prevê-se até o uso de aeronave, sendo que as condições locais não permitem que seja feito o uso das mesmas.

De forma simples, é preciso considerar algumas coisas quando se pensa em emergências no trabalho em altura. Se o cinto de segurança é utilizado, é porque existe a possibilidade de queda. Aqui começa o primeiro problema: se a queda for completa, o socorro será feito no piso, mas se, como desejado, o cinto fizer seu trabalho, deve-se ter em mente a necessidade de resgatar pessoas. Mas raramente isso é previsto. Quando questionados acerca disso, muitos colegas apontam o corpo de bombeiros local como alternativa para realizar esta ação. Em determinadas localidades essa opção pode causar uma espera muito longa para o resgate. Assim, faz-se necessário levar em conta a previsão de meios para resgate e isso passa pelo treinamento de pessoas, pela aquisição de equipamentos, entre outros detalhes que devem ser previamente pensados.

Do ponto de vista da prevenção, nenhum trabalho em altura deve ser realizado sem que existem meios adequados para a ação em caso de acidentes. Deve-se levar em conta todos os fatores que possam interferir para que a ação emergencial não funcione de forma adequada. Um bom plano de emergência para o trabalho em altura precisa seguir um roteiro habitualmente usado neste tipo de plano. Em minha opinião, é preciso buscar a simplificação, para que as pessoas compreendam a importância da ação e reajam conforme o esperado me caso de necessidade. Fluxogramas, esquemas complicados podem agradar muito aos olhos de quem os elabora, mas muitas vezes não são bem assimilados pelos trabalhadores. Em suma, é necessario levar em conta o que pode acontecer (possíveis cenários), como agir no caso de ocorrência (pessoas, equipamentos, comunicação) e qual o resultado esperado.

Por fim, outro ponto crucial é a qualidade do atendimento que se seguirá ao resgate e isso, por experiência própria pode fazer toda diferença. Grandes organizações pecam em termos de prevenção quando permitem que as contratadas removam seus acidentados para qualquer lugar. Em caso de acidente grave com risco de morte ou perda de membros, a remoção deve ser feita obrigatoriamente para um local em que o atendimento favoreça a recuperação e a minimização de danos. O encaminhamento para porntossocorro ou unidade de pronto atendimento não é o mais adequado nessas situações, por causa das recorrentes demoras para atendimento e falta de recursos. Obviamente, isso resulta em custos maiores, mas um bom trabalho de conscientização pode demosntrar à direção da organização os claros benefícios deste procedimento.

Concluo esta série, deixando como sugestão profissionais que buscam uma maior atenção à segurança no trabalho em altura, que elaborem um programa específico para isso dentro das organizações que atuam.

 

Fonte: Revista Proteção - Cosmo Palásio de Moraes Júnior - Março 2012

 




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